A infiltração de organizações criminosas em contratos de serviços públicos essenciais entrou no centro do debate sobre concessões de longo prazo no Brasil. Na avaliação do especialista em segurança pública Wagner Mesquita, a nova licitação do transporte coletivo em Curitiba exige atenção redobrada do poder público e de órgãos de controle.
O alerta ganhou força depois que uma operação conjunta da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo investigou empresas de ônibus da capital paulista por suspeita de ligações com o Primeiro Comando da Capital. Delegado aposentado da Polícia Federal e ex-secretário de Segurança Pública do Paraná, Mesquita aponta que a atuação de facções em negócios legítimos desafia a estrutura das concessões públicas.
Segundo o especialista, o interesse criminoso vai muito além da lavagem de dinheiro, buscando controle territorial e acesso a informações estratégicas. Enquanto empresas tradicionais calculam custos operacionais e margens de lucro, grupos ilegais podem apresentar propostas financeiramente agressivas porque operam com recursos de origem escusa.
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Com contratos de longo prazo em discussão na capital paranaense, Mesquita defende que a seleção de operadores vá além da análise documental e financeira básica. Para proteger a infraestrutura urbana, o poder público precisa rastrear a origem real do capital e identificar os beneficiários finais de cada concorrente.